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CIDADES REBELDES:
Passe Livre e as manifestações recentes que tomaram as ruas do Brasil é o título do recém-lançado livro pela Boitempo Editorial, em co-edição da Fundação Rosa Luxemburg. Apresentado por Raquel Rolnik, escrito pelo coletivo Movimento Passe Livre, Ermínia Maricato, David Harvey, Carlos Vainer, Slavoj Zizek e outros 10 autores, o livro procura lançar luzes analíticas e explicativas sobre os protestos populares. O título merece reparo: quem se rebela são as cidades? Quando lemos o texto É a questão urbana, estúpido! de Ermínia Maricato, podemos entender a rebelião como expressão da contradição urbana entre as necessidades sociais da reprodução da força de trabalho, dependentes de políticas públicas de transporte, saneamento, habitação, educação e saúde, e a acumulação do capital, para a qual a cidade é um grande negócio. Portanto há interesses distintos expressos nas cidades, espaços e processos dos protestos populares.

Transcrevo aqui as palavras de Paulo Eduardo Arantes, na quarta página do livro, numa abordagem próxima daquela adotada nas postagens anteriores deste blog desde Depois de maio (29/05/2013) e em artigo publicado na Revista Crítica do Direito:
 
Duas semanas de rebelião urbana que mudarão a história política brasileira? A mais rápida, expressiva e surpreendente vitória popular de que se tem notícia em nosso país? Quem o diz não são os manifestantes mais envolvidos, mas a própria grande imprensa, num raro e único momento de perplexidade confessa. Até o próximo round, quando outros atores finalmente entrarem em cena, saberemos se as Jornadas de Junho começaram de fato a desmanchar o consenso entre “direita” e “esquerda” acerca do modus operandi do capitalismo no Brasil. Há vinte anos o país se tornou uma tremenda fábrica de consentimento, todos empenhados em se deixar esfolar com fervor. Batemos no teto? É o que a derrapagem histórica que detonou todo o processo sugere. Pela primeira vez a violência que restou da ditadura – e a “democracia” aprimorou –, aprisionando a política no aparato judiciário-policial, por algum motivo não funcionou. Um limiar certamente foi transposto. Resta saber qual, e logo. No que tudo isso vai dar? “Já está dando”, disse-me outro dia um taxista.
Encontraponto
Enviado por Encontraponto em 15/08/2013
Alterado em 15/08/2013
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